Querido filho,

Hoje acordei diferente. Senti-me diferente.

Estava ainda com os olhos fechados a acordar lentamente. Era um dia de verão e a janela estava aberta para que a brisa da noite nos ajudasse a suportar o calor que se fazia nos últimos dias. Os raios de sol aqueceram o meu rosto quando senti um chamamento, uma necessidade de colocar a mão no meu ventre. Senti um conforto, uma paz. Como se duas partes se tivessem unido naquele momento.

Duas partes que estavam destinadas a construir um amor maior. Estou grávida! pensei. Os meus olhos abriram-se por completo e fui surpreendida por um sensação de dúvida, euforia e ansiedade até. Poderia ser verdade?

Olhei para o lado esquerdo da cama. O teu pai ainda estava a dormir. A minha mão continuava colada ao ventre como se tivesse à espera de um sinal. Não, não pode ser. Afinal eu acabei de ter o meu período, tentava eu convencer-me com uma racionalidade brusca. Tirei a mão do ventre e essa ideia da cabeça. Deve ser apenas as hormonas a pregar-me uma partida.

Algumas semanas depois viria a saber que estava de facto grávida. Que esse seria o início de uma ligação transcendental entre nós dois. Como um reencontro separado por vidas passadas e finalmente estaríamos juntos de novo. Eu seria a tua mãe e tu o meu filho.

Recordo me do momento exato em que a vida se criou. Do que senti, do que disse, do que pensei. De como abracei o teu pai com uma entrega total. De como me sentia segura, amada e desejada. De como olhei nos olhos dele naquele momento e pensei “quero um filho contigo”.

Nesse preciso momento tudo se alinhou para que a vida pudesse ganhar uma nova forma. Para que pudesse acontecer o que estava destinado a vir até mim. Tu!

Talvez nesse momento se tenha iniciado a nossa conexão. Talvez nesse momento tudo tivesse começado a mudar. A mudança é boa, pois ajuda-nos a chegar mais perto de onde devemos estar. Naquele espaço e tempo.

Naquela manhã em que acordei diferente. Em que me senti diferente nada viria a ser como antes. Nada nem ninguém. A sensação de conforto e paz acompanhou-me ainda durante o dia. A minha racionalidade estava empenhada em procurar provar-me de que essa sensação estava errada e de que nada estaria diferente.

Aos poucos fui dando razão à mente e desligando-me do que sentia. Como aliás tantas vezes o fazia e faço. As responsabilidades e as rotinas do dia foram lentamente tomando conta de mim (mais uma vez) e eu fui me esquecendo de ti. Até que abandonei essa ideia de vez.

Mas tu continuavas ali pacientemente como sempre aguardando o meu amor. Foste dando alguns sinais ao meu corpo de que algo estaria de facto diferente. Sentia-me cansada, muito cansada. Não compreendida o porquê de tanto sono. Não quis perceber os sinais. Não escutei o meu corpo como ainda hoje teimo em fazer.

Por vezes lá vinha uma voz de dentro “estarei grávida?”. Não que disparate. Tive o período ha pouco. Deve ser apenas cansaço do trabalho. Mais uma vez deixei que a mente me silenciasse. Mas tu continuavas ali pacientemente a aguardar o meu amor. Já me amavas sem eu te reconhecer sequer. Tão incondicional seria a tua entrega.

Mais umas semanas se passaram mas tu continuavas ali pacientemente a aguardar o meu amor.

Seria o início de uma ligação transcendental entre nós dois. Como um reencontro, separado por vidas passadas e finalmente estaríamos juntos de novo. Eu seria a tua mãe e tu o meu filho.

Recordo-me do momento exato em que a vida se criou. Do que senti, do que disse, do que pensei. Nesse preciso momento tudo se alinhou para que a vida pudesse ganhar uma nova forma. Para que pudesse acontecer o que estava destinado a vir até mim. Tu!

Talvez nesse momento se tenha iniciado a nossa conexão. Talvez nesse momento tudo tivesse começado a mudar. A mudança é boa, pois ajuda-nos a chegar mais perto de onde devemos estar. Naquele espaço e tempo.


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